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quarta-feira, 16 de março de 2011

Brilha a esperança

Judas: antes e depois do mestre

trechos do livro O Mestre Inesquecível de Augusto Cury





Judas tinha todas as condições para ser transformado numa boa terra, num dos grandes líderes que mudariam a história a humanidade...


Todos os discípulos, à exceção de Judas, começaram no primeiro estágio. Eram um solo à beira do caminho, possuíam uma personalidade impermeável, inflexível, difícil de ser trabalhada. Judas, pelas características de sua personalidade, começou no segundo estágio. Seu coração emocional tinha pedras, as acolheu rapidamente as sementes plantadas por Jesus e logo eIas nasceram. As raízes eram pequenas e frágeis. Pouco a pouco, Jesus começou a sofrer forte oposição. Judas ficou assustado com o ódio dos fariseus. Parecia que isso não estava no programa do enviado de Deus. Algumas vezes, seus opositores o expulsaram das sinagogas; outras, chamaram-no de louco e, ainda outras, pegaram em pedras para esmagá-lo. Judas ficava amedrontado. Experimentava o calor do sol. As raízes frágeis quase não suportavam.


Mas o treinamento que Jesus realizava sulcava a terra e permitia que as sementes invadissem áreas mais profundas. Foi um belo começo. Judas era uma pessoa alegre e realizada. Admirava Jesus. Seus discursos o inspiravam. Seu poder o fascinava. Para ele, o carpinteiro de Nazaré era o grande Messias aguardado por séculos por Israel. Seus milagres, sua oratória e sua inteligência confirmavam isso. Ele venceu o teste do calor do sol. Judas superou as angústias, as perseguições, as rejeições, as críticas, a fama de louco, pertinentes ao segundo estágio. Ele crescia viscosamente. Desse modo, passou para o terceiro estágio, o do solo espinhoso.

O seu coração parecia um jardim cujas plantas escondiam os rebentos que desabrochariam as flores na mais bela primavera. Mas, sem que ele percebesse, cresciam paralela e sutilmente os espinhos, representados pelas ambições, pela fascinação pelas riquezas, pelas preocupações com a vida...

No início, Judas não tirava os olhos do seu mestre. Ao seu lado, o mundo, embora perigoso, se tornava um oásis. Mas, paulatinamente, ele colocava os olhos dentro de si mesmo. Pensamentos negativos, dúvidas, questionamentos começaram a transitar no palco de sua mente. Infelizmente, ele os represou, nunca os expôs para Jesus.... Judas tinha dois grupos de conflitos. O primeiro grupo foi construído ao longo do processo de sua personalidade. Alguns desses conflitos eram controláveis; outros eram controladores...


Judas era uma pessoa auto-suficiente e não transparente. Essas características não o controlavam nos primeiros dois anos em que andou com Jesus... Controlar nossas características doentias e não deixar que elas se manifestem não quer dizer superá-las definitivamente...


Ele era o mais dosado dos discípulos, mas apenas controlava suas características doentias. As características doentias dos demais discípulos eram mais visíveis. Elas tumultuavam o ambiente; portanto, era mais fácil tratá-las. Não é tão fácil tratar de pessoas tímidas. Embora sejam mais éticas e solícitas do que a média das pessoas, ocultam conflitos. Falam pouco, mas pensam muito. Porque elas não se expõem é difícil ajudá-las. A melhor maneira de cultivar os conflitos é escondendo-os. Não tenha medo nem vergonha dos seus conflitos. Desista de ser perfeito. O mestre da vida não exigiu que seus discípulos não falhassem; exigiu, sim, que perdoassem. Nunca suplicou que não falhassem; suplicou, sim, que tivessem compaixão e amor uns pelos outros. Judas tinha provavelmente menos conflitos do que os demais discípulos, mas era uma pessoa que se escondia atrás de sua ética. Seus parceiros não o conheciam, nem ele mesmo conhecia suas mazelas psíquicas...

Judas queria que Jesus eliminasse todos os sofrimentos de Israel, mas Jesus discursava que não há noite sem tempestades, jornadas sem obstáculos, risos sem lágrimas. Para Judas, o problema da sua nação era o cárcere do império romano; para Jesus, o problema era muito mais grave, era o cárcere da emoção, o cárcere das zonas de conflitos as quais estão nas matrizes da memória. O problema estava na essência do ser humano... Como Judas pôde traí-lo? Na realidade, Judas foi controlado pelos seus conflitos. Antes de trair Jesus fora dele, traiu a imagem de Jesus que ele construíra dentro de si. A imagem que ele construiu de Jesus não batia com a imagem do salvador de Israel que ele inicialmente tinha...


As lições da escola viva de Jesus ajudaram a personalidade de Judas, mas não podiam fazê-lo amar. Amar é o exercício mais nobre do livre arbítrio. Ninguém controla plenamente a energia do amor, mas pode direcioná-la ou, então, obstruí-la. Judas precisava decidir amar Jesus. Geralmente a obstrução do amor vem pelas frustrações e desencontros. Se ele abrisse seu ser para Jesus, tratasse com seus conflitos, falasse das suas decepções, seria apaixonado pelo mestre da vida. O verdadeiro amor faz com que uma pessoa nunca desista da outra, por mais que ela a decepcione...


Jesus também frustrara os demais discípulos por não atender às suas ganâncias, mas eles o amavam. Não abriam mão dele, por mais que enfrentassem problemas, por mais incompreensível que fosse sua atitude de amar os inimigos e dar um valor inestimável aos que viviam às margens da sociedade.

Judas traiu o filho do homem e não o filho de Deus. Judas não cria que Jesus era o Messias. Um crucificado que dizia que morreria pela humanidade não correspondia às suas expectativas. Ele procurava um herói. Até hoje muitos procuram um Jesus herói. É difícil entender alguém que despreza o poder e ama as coisas simples e aparentemente desprezíveis...

Jesus teve a ousadia de confiar a bolsa das ofertas ajudas... A educação de Jesus era ilibada. Ele nunca pediu conta dos erros das pessoas.... Ele jamais acusou Judas de ladrão.

Jesus não tinha medo de perder o dinheiro roubado por Judas, ele tinha medo de perder o próprio Judas. Ele sabia que quem é desonesto rouba a si mesmo. Rouba o quê? Rouba sua tranqüilidade, sua serenidade, seu amor pela vida. O coração de Judas estava doente, não amava nem Jesus nem a si mesmo. Os transtornos de personalidade de Judas, tipificados pelos espinhos, eram seu grande teste.


O homem mais doente não é aquele que tem a pior doença, mas aquele que não reconhece que está doente. O maior erro de Judas não foi a traição mas sua incapacidade de reconhecer suas limitações, de aprender com seu mestre que os maiores problemas humanos estão na caixa de segredos da sua personalidade...


Na última ceia, Jesus anunciou a sua morte e disse, com o coração partido, que um dos discípulos o trairia. Todos queriam o nome do traidor. Jesus não expunha publicamente os erros das pessoas... No momento em que houve a traição, houve mais uma prova de que Jesus estava procurando reconquistar Judas. Ele lhe deu mais uma oportunidade para repensar sua atitude. Judas antecipou a escolta e o beijou. Jesus se deixou beijar. Judas, embora confuso, conhecia um pouco seu mestre. Bastava um beijo para identificá-lo. Sabia que não seria repreendido. Como comentei em outros textos dessa coleção, Jesus teve uma atitude ímpar. Fitou-o e o chamou de amigo (Mateus 26:50).


O mestre dos mestres golpeou-lhe o coração com seu amor. Nunca alguém amou tanto, incluiu tanto, apostou tanto, deu tantas chances a pessoas que mereciam apenas o desprezo. Judas não esperava esse golpe. Ele saiu de cena perplexo.


Quando as pessoas fizeram guerras defendendo o cristianismo, como nas Cruzadas, elas as fizeram em nome de um Cristo imaginário, irreal. O Cristo real foi o que amou seu traidor. O Cristo real foi o que cometeu loucuras de amor por cada ser humano. Foi o que teve coragem de esquecer a sua dor para pensar na dor do outro, mesmo que o outro fosse um carrasco. Se ele chamou seu traidor de amigo, quem pode decepcioná-lo? Ninguém! Que erro uma pessoa precisa cometer contra ele para fazê-lo desistir dela? Nenhum. Sua personalidade é tão contra a nossa lógica que ela jamais poderia ser uma obra de ficção. Jesus não cabe no imaginário humano.

Morrendo por todos os traidores


Na infância, vi pessoas fazendo bonecos de Judas e espancando-o. Aos olhos dessas pessoas que se diziam cristãs, Judas deveria ser espancado e ferido; mas aos olhos de Jesus, Judas deveria ser acolhido e amparado... Nesses anos todos exercendo a psiquiatria e pesquisando os segredos da mente humana, descobri que todos nós temos um pouco de Judas em nosso currículo. Quem não é traidor? Você pode não ter traído alguém, mas dificilmente não traiu a si mesmo. Quantas vezes você disse que seria uma pessoa paciente, mas uma pequena ofensa ou contrariedade bloqueou sua inteligência e levou-o à ira? Você traiu a sua intenção. Quantas vezes, depois de um ataque de raiva, você prometeu que se controlaria, mas por fim acabou ferindo as pessoas que mais ama? Você traiu sua promessa.


Quantas vezes você disse que não levaria seus problemas para sua cama, mas por fim sua cama se tornou uma praça de guerra? Você traiu seu sono. Quantas vezes você prometeu que sorriria mais, seria mais bem humorado, leve e livre, mas suas promessas não duraram até o calor dos problemas da segunda-feira? Você traiu sua qualidade de vida. Eu já me traí muitas vezes. É fácil sermos carrascos de nós mesmos.


Tivemos tantos sonhos, mas quantos foram abandonados! Traímos nossos sonhos de infância e juventude. Prometemos lutar por nossos ideais, dar um sentido nobre à nossa vida, dar valor às coisas que realmente têm valor, mas por fim gastamos uma energia descomunal com coisas banais. Raramente fazemos coisas fora da nossa agenda para nos dar prazer, relaxar e encantar. Sofremos por problemas que não aconteceram, nos preocupamos demais com as críticas dos outros, fazemos um cavalo de batalha por coisas tolas. Somos todos traidores. O mestre da vida estava morrendo por todos nós.


Quantas vezes julgamos nossos filhos, amigos, colegas de trabalho, sem perceber que o que eles estão nos dando é o máximo que conseguem naquele momento? Quantas vezes não conseguimos decifrar que as pessoas estão pedindo ajuda e compreensão nos seus comportamentos grotescos, e atiramos pedras? Quantas vezes cobramos das pessoas o que elas não podem dar! Somos punitivos e autopunitivos. Não temos compaixão dos outros nem de nós mesmos.


Quantas vezes traímos Deus? Nós não o vemos, não o tocamos fisicamente. É muito fácil traí-lo. Uns trocam Deus por uma grande soma de dinheiro, outros por uma quantia menor que a de Judas. Uns viram as costas para Ele quando atingem o sucesso, outros o consideram uma miragem quando fracassam ou o culpam pelo que Ele nunca fez.

Quantas vezes vendemos as sementes de Jesus, suas caríssimas palavras, por um preço menor do que uma mercadoria da feira? O amor, a tolerância, o perdão, o acolhimento, o afeto, a compreensão, a capacidade de se doar sem esperar a contrapartida do retorno, a capacidade de pensar antes de reagir são sementes universais, representam o ápice das aspirações humanas... Jesus sintetizou os desejos de todos os povos de todas as eras, mas muitas vezes desprezamos suas biografias como Judas as desprezou. Não analisamos suas palavras com a profundidade que elas merecem. Todos sabem que um dia morrerão, que a vida é efêmera. Num instante somos meninos; noutro, idosos. Mas vivemos como se fôssemos imortais. Adiamos a busca da sabedoria. Não perguntamos: "Deus, quem é você? Você é real?". Nós nos preocupamos em tomar o melhor antibiótico quando estamos doentes, em procurar um bom mecânico para consertar o motor do carro e em verificar detalhadamente o saldo da conta bancária, mas não nos preocupamos em desenvolver nossa inteligência espiritual, em buscar Deus de maneira inteligente.


A maioria de nós estava, de alguma forma, sendo representada por Judas. Jesus estava morrendo por todos os que mancharam a sua história por algum tipo de traição. Judas o estava traindo e Jesus o estava perdoando. Mas um grande problema surgiu. O problema era se Judas seria capaz de se perdoar.




O suicídio de Judas


Jesus queria proteger a emoção de Judas quando o chamou de amigo. Ele estava preocupadíssimo com seu sentimento de culpa. Sabia que o discípulo se torturaria. Nada abala tanto o homem quanto o peso na sua consciência. Nada o perturba tanto quando ele se acha indigno de viver. A crítica dos outros pode ser suportável, mas nossa autopunição pode ser intolerável.


O mestre era um homem seguro e de bem com a vida em situações inóspitas. Ele atravessou os vagalhões da emoção como se estivesse em terra secai Seu amor por Judas não cabe no imaginário humano...


Judas tinha muitos erros, mas era um homem sensível. O sentimento de culpa pela traição seria o maior teste da sua vida.


Se Judas pudesse remover os espinhos e encontrar o perdão e o amor de Jesus, certamente seria uma das colunas entre os mais ilustres cristãos do primeiro século desta era. Ele viu Jesus sendo preso por sua causa. Jesus não se debateu. Mostrou serenidade num momento de agitação...


Judas saiu do ambiente, pôs-se a refletir sobre o comportamento de Jesus e começou a se angustiar. Caiu em si e disse que traíra sangue inocente. Ficou cônscio de que tinha traído o mais inocente dos homens. Uma angústia dramática tomou conta do território da sua emoção. Tal angústia bloqueou os principais arquivos da sua memória. Não conseguia pensar direito. Não conseguia encontrar as sementes de Jesus nos arquivos bloqueados. O perdão, o amor e a compreensão não eram alcançados. Precisava recordar a parábola do filho pródigo, as palavras do sermão do monte, as palavras no ato da traição.... A culpa o controlava.


Quantos, neste exato momento ...estão se triturando pelo sentimento de culpa? Acham-se indignos de viver, de existir. Uma dose leve de sentimento de culpa pode gerar reflexão e mudança de rota. Mas uma dose alta pode gerar autodestruição.


Judas não suportou. Pensou em morrer. Para ele, não haveria lugar nesta terra para um traidor, ainda mais o traidor do mestre dos mestres. Ninguém o compreenderia. Ele não suportaria conviver com seu erro. Ledo engano! Se ele usasse a mesma coragem que teve para trair para reconhecer seu erro e se arrepender, corrigiria a sua trajetória e brilharia...


Quando o mundo nos abandona, a solidão é suportável, mas quando nós nos abandonamos, a solidão é quase insuperável. Nunca devemos nos auto-abandonar. Judas se abandonou. Não se perdoou. Desistiu de si mesmo. Suicidou-se. Mas ele queria matar a sua vida? Não! Ninguém que pensa em suicídio ou que pratica atos suicidas quer exterminar a existência, mas quer exterminar a dor que solapa a sua alma...


Nenhum ser humano pensa em dar fim à sua vida, mesmo quando atenta contra ela. O que se deseja é dar fim ao sentimento de culpa, solidão, ansiedade, crise depressiva.


Quem se suicida provoca cicatrizes na alma dos que o amam. E possível superar a mais longa noite e transformá-la no mais belo amanhecer. Não há lágrima que não possa ser estancada, ferida que não possa ser fechada, perda que não possa ser enfrentada e culpa que não possa ser superada. Os que transcendem seus traumas e seus erros ficam belos e sábios.





"Aprenda a se perdoar. Não tenha medo da dor. Jamais se esqueça das sementes do mestre da vida."


Trechos do Capítulo 7 do livro O Mestre Inesquecível. Coleção Análise da Inteligência de Cristo. Vol - 5



Jesus disse: "Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. " Mateus 16:25

"Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares." Josué 1:7