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terça-feira, 15 de novembro de 2011

No Jardim do Getsêmani


“O Getsêmani era um jardim. Num jardim começou o inverno existencial de cristo. Não havia lugar melhor onde ele pudesse ser preso. Aquele que fora o mais excelente semeador da paz tinha de ser preso num jardim, e não na aridez de um deserto. O jardineiro da sabedoria e da tolerância foi preso no jardim do Getsêmani.
Getsêmani significa azeite. O azeite é produzido quando as azeitonas são feridas, esfoladas e esmagadas. Lá no Getsêmani, aquele homem dócil e gentil começaria a ser ferido e esmagado por seus inimigos.“


“Cerca de 9 a 12 horas antes de ser crucificado, Jesus se encontrava no Jardim do Getsêmani. Estava ofegante, taquicardíaco. Seus pulmões procuravam mais oxigênio. Ele havia predito quatro vezes como morreria. Agora se preparava para a longa noite de escárnio, deboches e acoites e, em seguida, para a crucificação.
Bebia seu cálice amargo na mente. Tinha que se equipar para suportar o insuportável. O estresse foi tão intenso que foi vítima de um caso raríssimo na medicina: os capilares sanguíneos romperam-se, extravasando hemáceas junto com o suor. Só Lucas, biógrafo que era médico, descreveu com um acurado olhar clínico.
O mais tranqüilo dos homens vivenciou o mais alto patamar da ansiedade, gerando uma reação depressiva momentânea e intensa. Todas as células do seu corpo clamavam através dos sintomas psicossomáticos para que ele fugisse da cena. Mas ele permanecia. Seu desejo? Fazer a vontade de seu Pai.
Jesus estava no apogeu da fama. Se quisesse ser um herói religioso, deveria esconder seu drama, camuflar sua fragilidade. Mas, ao contrário da maioria dos líderes religiosos, ele chocou a psiquiatria e a psicologia clínicas. Chamou três discípulos, Pedro, Tiago e João, e teve a coragem e o desprendimento de dizer-lhes que sua alma estava profundamente deprimida até a morte.
Sabia que Pedro o negaria e que os dois irmãos, Tiago e João, o abandonariam. Mesmo assim abriu-se com eles, foi honesto, transparente. Ensinou-nos assim a agir da mesma forma, mesmo quando as pessoas nos decepcionam. Ensinou-nos a não viver isolados. Devemos sempre abrir nosso coração com alguns amigos. “...
“Gostamos de repartir o sucesso, mas somos péssimos para compartilhar os fracassos, os temores, as angústias. As sociedades modernas tornam-se fábricas de pessoas que simulam suas reações. Grande parte dos sorrisos são disfarces.
‘Foi nesse clima que Jesus, horas antes de morrer, viveu intensamente um dos pensamentos mais vivos da oração do Pai-Nosso: “Faça-se a Tua vontade assim na terra como no céu’ Esse é o décimo sétimo segredo dessa oração, Jesus clamou ansiosamente: ‘Pai, afasta de mim este cálice, mas não se faça a minha vontade, mas a Tua vontade.”
A vontade do seu Pai estava em jogo. Se ele quisesse, sua vontade prevaleceria. Deus só aceitaria um sacrifício de amor, um ato único e espontâneo.
No Jardim das Oliveiras, Jesus viveu o que pregou no Sermão da Montanha. É significativo. As azeitonas são prensadas para produzir um rico azeite. O Mestre da Vida foi prensado pela dor para recriar a memória de Deus.


Jesus não era um suicida. Raramente alguém amou a vida tão intensamente quanto ele, mas, desobedecendo ao clamor de bilhões de células que produzem sintomas psicossomáticos e que rogavam que fugisse, ele ficou. Estava chorando, ofegante, não queria morrer, mas pediu a Deus que executasse a Sua vontade. Estava disposto a ir até o fim.”...
“Ao clamar ‘faça-se a Tua vontade’, Jesus sabia que essa vontade envolveria os insondáveis sofrimentos impostos pela crucificação. E o que era mais insuportável: para agradar o Pai, o filho deveria amar quando odiado, incluir quando discriminado, perdoar quando escarnecido. Tarefa que nenhum ser humano jamais realizou em qualquer foco de tensão.
O que aconteceu com Deus no momento em que Jesus morria? Que fenômenos atingiram a mente desse Pai que o Filho descreveu no alto de uma montanha? Quando Jesus gemia de dor, ocorria na psique de Deus um turbilhão emocional que conquistou uma força incontrolável e invadiu diretamente os solos de sua supermemória. Beira o inimaginável!
Novamente pergunto: Quem mais sofreu? O filho que morria, ou o Pai que assistia? É difícil dizer. Nenhum pai ou mãe desejaria jamais, nem em pensamento, experimentar essa situação.
João, o discípulo que quando andava com Jesus era jovem e inexperiente, escreveu em sua velhice algo que jamais lhe sairá da sua mente: o Pai e o Filho cometeram loucuras de amor pela humanidade (João 3:15).”...
“Eu fico pensando no desespero do Deus do Pai-Nosso ao ver seu filho se contorcendo de dor. Enquanto o filho morria fisicamente, o Pai provavelmente ’morria’ emocionalmente. As seis horas da crucificação foram mais longas do que toda a eternidade para o Deus onipresente.
Durante a travessia nos vales áridos do sofrimento, Deus reeditou as matrizes da sua memória. Usou, com a mais excelente maestria, o princípio das teorias comportamental-cognitivas.
Enquanto o seu filho morria, Ele se expôs ao máximo aos estímulos estressantes e viu passar em sua mente o filme contendo os erros, violências, falsidades, discriminações, agressões, ambições cometidas pela humanidade em todas as eras.


Nunca um pai abandonou um filho num momento extremo, ainda mais um pai amoroso. As cenas indescritíveis das seis horas na cruz penetraram como um raio na memória sofisticadíssima de Deus, causando um vendaval sem precedentes. Foi inesquecível.
Não consigo enxergar de outro modo. Todas as frustrações e decepções causadas pelos seres humanos ficaram diminutas, um grão de areia num deserto. Foi um ato de amor solene que mexeu com fenômenos psicológicos, gerando uma revolução única no funcionamento da mente do Autor da existência. Por isso há um texto nas escrituras em que Deus têm a coragem de dizer ao ser humano: ‘De suas falhas jamais me lembrarei.’
Como Deus pôde esquecê-las, se elas são tão gritantes? Para nós é impossível deletar a memória. Deus não a deletou, Ele a reeditou. Foi um prodígio incrível. Passou a limpo o passado da humanidade. Fez o que não seria possível a qualquer juiz ou sistema jurídico realizar.”...
“Quando Jesus estava no ápice da dor física e emocional, na primeira hora da cruz, ...num esforço sobre-humano clamou:’Pai perdoa-os porque eles não sabem o que fazem.”(Lucas 23:34)
Essa frase possui uma força incalculável. Provavelmente foi a primeira vez na história que um ser humano mutilado e esmagado pelo sofrimento conseguiu abrir as janelas da memória, construir pensamentos com maestria e se preocupar com as pessoas que o torturavam.
Do ponto de vista psiquiátrico, quando alguém está ferido, o Homo bios -  o lado animal ou instintivo – prevalece sobre o Homo sapiens. Não devemos esperar uma resposta inteligente de alguém ferido física e emocionalmente.
Einstein se irritou com os que defendiam o princípio da incerteza da teoria quântica, dizendo “Deus não joga dados”. Freu excluiu amigos que não pensavam como ele. Muitos pensadorews foram mais longe. Perseguiram e ainda perseguem seus discípulos ou parceiros quando sentem ciúmes ou são ameaçados por suas idéias. Nos focos de estresse, nosso lado predador acorda.
Seria compreensível que Jesus reagisse com intensa irritação, violência e ódio contra seus inimigos. Não havia nenhuma condição intelectual para entender, desculpar e incluir seus carrascos. Mas, esfacelando os parâmetros da lógica psicológica, ele os defendeu diante de Deus.”...
“No fundo, toda a humanidade estava representada por esses fariseus, bem como pelos soldados romanos. Reitero: Jesus defendeu todos os seres humanos perante Deus.
Só faltou Jesus acrescentar o que estava implícito: ‘Apesar de tudo eu os amo e sei que Tu os amas. Apesar de eu estar sendo tratado como o mais vil dos homens, Tu és o Pai-Nosso. Não te importes comigo, pensa apenas na humanidade.’ Era como se ele fosse como aquele filho preso entre as ferragens, sangrando e queimando, mas pedindo para seu pai não salvá-lo. Pedindo-lhe para não correr riscos por ele, mas cuidar dos outros irmãos.


O filho chorava sem lágrimas enquanto o Deus Altíssimo descia das alturas e curvava o seu rosto sobre a Terra, desesperado. Eu não consigo descrever essa cena. Cada reação de dor, tremor e asfixia do filho percorria as entranhas do ser de Deus. Ele ficava sufocado quando Jesus não conseguia abrir seus pulmões para respirar.
Ao gritar a plenos pulmões para Deus perdoar os seres humanos que zombavam dele e o matavam, dizendo que eles não sabiam o que estavam fazendo, Jesus, como o mais excelente analista, compreendeu o incompreensível.
Enquanto vivia o drama do Calvário, mergulhou dentro de si e gerou o mais elevado autoconhecimento já atingido em situações de estresse.”...” Ele sabia o que queria. Sua morte não foi um suicídio. Jesus cumpria o mapa da oração do Pai-Nosso.”...
“O Pai e o filho viveram o ápice da compaixão num momento em que qualquer ato solidário parecia inimaginável. Percorreram as avenidas dos seus próprios seres e, ao mesmo tempo, se colocaram no lugar dos humanos e se compadeceram de cada um deles num contexto que era impossível pensar nos outros, apenas em si mesmos.
Amaram quem os odiou, abraçaram quem lhes deram as costas, beijaram quem lhes cuspiu no rosto. Foram livres e fortes, pois só os fortes são capazes de dar a outra face, só os livres têm um romance com a vida e são apaixonados pela humanidade.”

Fonte: CURY, Augusto Jorge. Os segredos do Pai-Nosso. Ed. Sextante, 2006.

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