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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um rosto transformado e um par de asas

Um coração com fome de adorar


As pessoas num avião e as pessoas nos bancos da igreja têm muito em comum. Estão de viagem. A maioria se comporta bem e estão bem vestidos. Alguns cochilam, e outros olham pelas janelas. A maioria, senão todos, está satisfeita com uma experiência previsível. Para muitos, a característica de um bom vôo e a característica de um bom culto de adoração são as mesmas.

"Bom", gostamos de dizer, "Foi um bom vôo/culto de adoração". Saímos do mesmo modo que entramos, e ficaremos contentes em voltar a próxima vez.

Uns poucos, porém, não estão contentes com que seja bom. Anseiam algo mais. A criança que acaba de passar por mim, por exemplo. O ouvi antes de conseguir vê-lo. Já estava em meu assento quando perguntou: "Verdade que me permitirão conhecer o piloto?" Ou tinha muita sorte ou foi muito esperto pois fez a petição justamente quando entrava no avião. A pergunta chegou até a cabine, fazendo com que o piloto se inclinasse para ver.
— Alguém me procura? — perguntou.O menino levantou a mão no mesmo instante como respondendo à pergunta da professora de segunda série.
— Eu!
— Pois bem, venha.
Com o consentimento da mãe, o rapazinho entrou no mundo de controles e medidores da cabine, e poucos minutos depois saiu com os olhos enormemente abertos.
— Maneiro! — exclamou —. Me alegro de estar neste avião!

A cara de nenhum outro passageiro mostrava esse assombro. Devia saber. Prestei atenção. O interesse do menino despertou o meu, e assim estudei as expressões dos outros passageiros, e não achei nada desse entusiasmo. Via na maioria contentamento: viajantes contentes de estarem no avião, contentes de estarem perto de seu destino, contentes de estarem fora do aeroporto, contentes de ficarem sentados e falar pouco. Havia umas poucas exceções. Mais ou menos cinco mulheres de idade média, que levavam chapéus de palha e tinham sacolas de praia, não estavam contentes; estavam exuberantes. Riam enquanto avançavam pelo corredor. Aposto que eram mães que haviam conseguido a liberdade da cozinha e dos filhos por uns poucos dias. O homem de traje azul sentado do outro lado do corredor não estava contente; estava mal-humorado. Abriu seu computador e rosnou à tela durante toda a viagem. A maioria de nós, não obstante, estávamos mais contentes que aquele homem e mais moderados que as senhoras. A maioria estávamos contentes. Felizes com um vôo previsível, sem contratempos. Contentes de ter um "bom" vôo. Já que isso é o que buscávamos, isso foi o que conseguimos.

O menino, por outro lado, queria mais. Queria ver o piloto. Se pedirmos a ele para descrever o vôo, ele não diria "bom". O mais provável é que mostrasse as asas de plástico que ganhou do piloto, e diria: "Vi o homem em sua própria poltrona". Você vê por que digo que as pessoas no avião e as pessoas nos bancos da igreja têm muito em comum? Entre na nave de qualquer igreja e olhe para os rostos. Uns poucos estão contendo risadinhas, uns dois estão mal-humorados, mas a grande maioria está feliz. Contentes de estarem ali. Contentes de estarem sentados, olharem fixamente para a frente e saírem quando o culto acabar. Contentes de desfrutar uma assembléia sem surpresas nem turbulência. Contentes com um "bom" culto. "Buscai e achareis", prometeu Jesus (Mc 7:7). E como um bom culto é tudo o que buscamos, um bom culto é em geral o que obtemos.

Uns poucos, contudo, buscam mais. Uns poucos vêm com o entusiasmo da criação. Esses poucos se vão como o menino saiu, com os olhos arregalados pelo assombro de ter estado na presença do próprio piloto.

Fonte: LUCADO, Max. Simplesmente como Jesus. Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2010.